Artista colombiana mistura ritmos e expressa vida de migrante no Brasil em álbum de estreia

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A artista colombiana Victoria Saavedra, que acaba de lançar o álbum Remanso Entre Raízes. Crédito: Sofia Colucci/Divulgação

Já conhecida na cena cultural migrante de São Paulo, Victoria Saavedra lança “Remanso Entre Raízes” e fala do desafio de construir carreira e fazer música latina no Brasil

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)

“Vim porque queria conhecer mais sobre a música brasileira, aprender a língua e tudo o que desse para absorver dessa parte da América Latina que me parecia um pouco mais distante”.

Foi dessa tentativa de aproximação com o Brasil que a cantora, musicista e compositora colombiana Victoria Saavedra começou sua trajetória no país. Nascida na cidade de Neiva, chegou a São Paulo em 2010 para dar continuidade aos estudos em música. Mas os projetos e oportunidades que surgiram desde então a fizeram fincar novas raízes na capital paulista, sem esquecer da terra natal.

Em junho lançou seu primeiro álbum, intitulado “Remanso Entre Raízes” (ouça aqui), viabilizado graças a uma campanha de financiamento coletivo. Nele, Victoria faz um ponte à sua maneira entre o Brasil e o restante da América Latina. Com músicas cantadas em espanhol e português, ela expressa sentimentos como saudade, pertencimento e empatia, ao mesmo tempo que mistura ritmos do Brasil com os de países vizinhos como Colômbia, Argentina e Peru.

Em entrevista ao MigraMundo, a cantora colombiana fala um pouco mais sobre o desafio de construir carreira no Brasil e sobre o apoio que encontra na cena cultural migrante em São Paulo, que tem servido como uma segunda família para ela.

 

Capa de Remanso Entre Raízes, álbum de estreia de Victoria Saavedra.
Crédito: Divulgação

MigraMundo: Por que a escolha do Brasil para se estabelecer e divulgar seu trabalho?

Victoria Saavedra: Eu cheguei no Brasil inicialmente para dar continuidade aos meus estudos de música, vim porque queria conhecer mais sobre a música brasileira, aprender a língua e tudo o que desse para absorver dessa parte da América Latina que me parecia um pouco mais distante. A ideia não era ficar por aqui, mas foi passando o tempo e os projetos… A vida criou raízes, eu fui gostando e por enquanto estamos aqui.


Quais suas inspirações para seu trabalho – melodias, composições, etc?

A vida, tanto a minha como a dos outros, ou a vida de personagens que invento, dos artistas que me inspiram. Enfim, a vida.

Como é fazer música e se colocar como artista latino-americana em um país que, embora seja latino-americano, não se vê dessa forma?

Não tem sido tão fácil, já que a música denominada como “latina” aqui no Brasil, ou pelo menos aqui em São Paulo, parece estar enquadrada em uma coisa específica, o que acaba dando um rótulo que fecha as portas das diversidade musicais existentes em nosso continente.

Você já tem uma certa inserção na cena cultura migrante em São Paulo, que vem ganhando espaço. Como tem sido esse processo? Ele já tem alguma influência no seu trabalho?

O processo tem sido enriquecedor, de muito aprendizado e crescimento profissional. Tenho a grande felicidade de ter por perto músicos com os quais me identifico e com os quais tenho muita facilidade para trabalhar. Uma das coisas que mais admiro nos músicos que me acompanham é precisamente o fato de que temos muita admiração pelo trabalho de cada um e não pelo fato de eu ser estrangeira (não sei se isso é muito claro). E bom, com certeza o fato de não estar no meu país, perto da minha família, vai ser algo sobre o qual vou escrever, como também vai ser tudo o que conheço e o que percebo estando em lugares novos… Como falei anteriormente a inspiração do meu trabalho e a vida.

A artista colombiana Victoria Saavedra, que acaba de lançar o álbum Remanso Entre Raízes.
Crédito: Sofia Colucci/Divulgação

Você lançou uma campanha de financiamento coletivo para o álbum “Remanso Entre Raízes”, que foi bem sucedida. Como foi essa experiência?

Muitas, muitas emoções, ansiedade, correria, trabalho, e ao mesmo tempo uma felicidade e uma onda de boa energia que te enche de uma felicidade maior que o mundo. Ao mesmo tempo que foi exaustivo, a sensação de ter tanta gente torcendo junto com você é uma coisa que não dá pra explicar.

Você faria de novo?

Se faria de novo? Realmente agora não posso dizer nem que sim, nem que não, preciso que passe um pouco mais de tempo pra pensar no assunto. Ainda estou me recompondo [risos].

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