Centro para imigrantes em São Paulo também deverá ser espaço de articulação

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Enquanto o Brasil carece de uma política migratória que garanta o direito humano do migrante, entidades da sociedade civil e instrumentos públicos já voltados para a temática fazem o que podem para amenizar o problema. E buscam na articulação, que ainda engatinha no campo político, a melhor forma de aprimorar e expandir suas ações.

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Um exemplo dessa iniciativa aconteceu na última quinta-feira (5), durante encontro promovido pelo Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras) no centro para imigrantes da Prefeitura de São Paulo, do qual é a entidade gestora. Além de apresentar os serviços disponíveis no local e os resultados colhidos desde sua inauguração parcial, em agosto de 2014, o evento teve como finalidade aproximar as diversas entidades e pessoas envolvidas com a questão migratória em São Paulo.

O frei José Francisco de Cássia dos Santos, presidente do Sefras, explica que lidar com migrações é algo novo para a entidade, mas mostra que ela está pronta para esse desafio e quer contar com os demais atores já envolvidos na temática migratória. “É um trabalho novo, não temos uma tradição na área de migração. Nosso primeiro objetivo como organização é conhecer, aproximar e criar novos canais com todo o universo que já lida com migrações”, explica.

Cerca de cem pessoas, entre pesquisadores, jornalistas, educadores, agentes públicos e demais envolvidos com a temática migratória, lotaram o salão do centro de acolhida – o espaço é usado em geral para cursos de português aos imigrantes abrigados.

Salão do centro de acolhida para imigrantes da Prefeitura de São Paulo ficou pequeno durante encontro promovido pelo Sefras. Crédito: Divulgação/Sefras
Salão do centro de acolhida para imigrantes da Prefeitura de São Paulo ficou pequeno durante encontro promovido pelo Sefras.
Crédito: Divulgação/Sefras

Um novo encontro para dar continuidade aos diálogos iniciados e consolidar os novos canais de comunicação e parcerias já está marcado para 12 de março, em horário e local a serem definidos. “Esse encontro é uma possibilidade de vermos como trabalhar em conjunto”, diz Alline Santos, assistente social do Arsenal da Esperança, mostrando otimismo com a proposta.

“Este local é resultado também da articulação social”, ressalta Cleyton Borges, coordenador jurídico do Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes (Crai), lembrando o esforço e a luta de diversas entidades pela criação de espaços públicos para atender os migrantes.

Serviços oferecidos

O centro de acolhida para imigrantes da Prefeitura de São Paulo, localizado em um casarão de três andares na rua Japurá, no bairro da Bela Vista, une dois grandes serviços: um Centro de Acolhida para Imigrantes, conveniado à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads), inaugurado no fim de agosto passado e que conta com 110 vagas; e o Crai, este conveniado à Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania e aberto desde novembro.

Desde a inauguração, 255 migrantes de 26 nacionalidades já passaram pelos serviços de acolhida do local. Eles chegam encaminhados pelos Creas (Centros de Referência Especializado de Assistência Social) do município; já pelo Crai, que é aberto ao público externo, só em janeiro foram 148 atendimentos ao público – a capacidade declarada é de 200 atendimentos mensais.

De acordo com o Sefras, só com a parte de acolhida são gastos R$ 120 mil por mês, dos quais R$ 12 mil são bancados pela própria entidade e o restante vem do poder público. Já o setor de atendimento e referência custa R$ 35 mil mensais, sendo este bancado 100% pela Prefeitura de São Paulo.

Desde a inauguração, o centro para imigrantes já acolheu mais de 200 pessoas. Crédito: Divulgação/Sefras
Desde a inauguração, o centro para imigrantes já acolheu mais de 200 pessoas.
Crédito: Divulgação/Sefras

Atualmente o local está com suas 110 vagas ocupadas. Segundo Paulo Illes, coordenador de políticas para imigrantes da Secretaria de Direitos Humanos da prefeitura, já existem discussões para ampliar o número de vagas e a expectativa é que mais 200 sejam abertas ainda este ano.

Iniciativas futuras

Além da articulação com movimentos e pessoas que atuam com migrações, o centro de acolhida e referência também pretende elaborar ainda neste ano uma cartilha que oriente os imigrantes sobre seus direitos e onde procurar pelas informações necessárias.

Para o futuro também serão planejadas oficinas de formação para servidores públicos, com o intuito de prepará-los para lidar com a população migrante, e também cursos e oficinas voltados para migrantes que estão fora da casa.

No âmbito cultural, o centro de acolhida já promove diversas atividades e passeios pela cidade de São Paulo com a população abrigada. E para 2015 essa programação deve ganhar novidades. “A ideia para esse ano é promover uma “copa das receitas”, na qual o imigrante faz um prato típico do seu país”, antecipa Carla Aguilar, coordenadora da área de acolhida do centro.

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