Como a mobilidade global pode se desenvolver em tempos de distanciamento social

Como a área de Mobilidade Global fica com tudo isso? Ou ainda, existe algo que possa ser tomado como positivo em meio a esse cenário de pandemia?

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Como a mobilidade global pode se desenvolver em tempos de distanciamento social
(Foto: Free-Photos from Pixabay)

Por Danyel Andre Margarido
Publicado originalmente no LinkedIn

Quando recebemos a comunicação de que uma pandemia foi declarada pelas autoridades, todas as notícias internacionais sobre infectados e mortos nos alcançaram. É algo tão grande e, ao mesmo tempo, invisível, e nossa forma de combater essa ameaça é permanecer em nossas casas, protegidos e protegendo quem amamos e quem não conhecemos.

Mas, fica a pergunta: Como essa situação pode contribuir para seu crescimento? Como a área de Mobilidade Global fica com tudo isso? Ou melhor ainda, existe algo que possa ser tomado como positivo em meio a tudo isso?

Para responder questões sobre o futuro, nada melhor do que olhar para o passado: Como, por exemplo, a Europa no Século XVII. A Peste Bubônica. Ela ficou conhecida, na Inglaterra, como a “Grande Praga de Londres”, e matou quase cem mil pessoas, “um quarto da população da cidade na época”. Uma das formas de conter a peste foi a quarentena.

Um jovem Isaac Newton, morador da cidade inglesa de Cambridge, usou o tempo em casa para explorar melhor os problemas matemáticos que ele já havia começado a estudar, resultando nas bases do cálculo diferencial e integral, e, ainda, ele montou suas primeiras teorias sobre ótica, durante esse período.

Podemos não ser como o Sir Newton, é verdade. Mas podemos ter uma abordagem diferente sobre o momento atual, além disso não há uma regra específica sobre como os dias de quarentena têm de ser levados.

Sendo assim, por que não usar esse tempo que tem em suas mãos e fazer algo que te possibilite resultados melhores. Para ajudar nessa tarefa, me inspiro no Modelo SCARF, de David Rock, que fala sobre cinco campos que influenciam o nossos relacionamentos e nosso comportamento em relações sociais.

Status

Olhar para si mesmo, e tudo o que você toca. Quais ações tem tomado, e quais são os processos que estão paralisados. É o momento de pedir um aumento? Seus resultados estão bons? A forma de medir seus resultados, as suas métricas, estão calibradas? Quais são os passos que precisam ser tomados em curto, médio e longo prazos? Como seus clientes internos, externos e parceiros de negócio vêm o seu trabalho? O que você pode mudar no seu jeito de fazer o seu trabalho? Seus colegas sentem sua falta, ou sentem falta do seu trabalho sendo feito?

Uma das principais vias de Estrasburgo França), deserta em meio à quarentena imposta contra o Covid-19
“Olhar para si mesmo, e tudo o que você toca. Quais ações tem tomado, e quais são os processos que estão paralisados.” (Foto: MigraMundo)

Olhando para o que você tem feito, é possível tomar decisões melhores para o futuro. Conhecer melhor a si mesmo, e o seu jeito de se relacionar com outros, do seu ponto de vista, pode ajudar a identificar seus pontos fortes e os pontos que podem ser melhorados. Quando somos confrontados, seja por um parceiro seja pelo expatriado, podemos ir para uma posição defensiva, ao invés de resolver o impasse.

Conhece-te a ti mesmo é um conselho sábio que pode ajudar em suas relações com seus expatriados, parceiros, colegas…

Certeza

E por falar em futuro, ele só pode ser desenhado através das escolhas que você tem feito hoje.

Por mais “coach-de-instagram” que a frase possa parecer, decisões de curto prazo, com alto retorno, são as melhores maneiras de encaminhar o que busca no futuro. É como uma dieta, pequenas decisões diárias, que, mostram progresso, e te fazem ficar cada vez mais perto do seu objetivo.

Pequenas alterações em processos, testes de melhoria, quais erros podem ser esperados e rapidamente corrigidos. É importante mapear, e ter certezas. Afinal, as incertezas te levam ao stress, e pessoas estressadas estressam outras pessoas. Um ciclo que não faz bem a nenhum dos envolvidos.

É como se você desenhasse um mapa, de modo que todos os stakeholders possam enxergar suas decisões de maneira clara e transparente, ajudando na diminuição de atritos e stress. Com um bom mapa, e a atitude certa, você passa por qualquer caminho difícil.

Autonomia

Saber quem você é, como estão as coisas que você toca e quais são as pequenas decisões que podem ser tomadas agora, para melhorar sua vida a longo prazo, é importante saber e ter o controle das situações.

É claro, que, tirando a Culinária e a Química, nada na vida segue uma receita, onde todos os resultados são (virtualmente) iguais. Entretanto, como diz a Filosofia, Autonomia é um conceito que determina a liberdade de indivíduo em gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias escolhas.

Um paralelo interessante é a bateria de um celular, que pode ter maior ou menor autonomia, ou seja, a necessidade de recarregar, com base em sua utilização.

O quanto de autonomia você possui em sua posição? E como essa autonomia está sendo utilizada? Como está sendo verificada a autonomia de seus parceiros de negócio e provedores? Quais são os papéis e responsabilidades de todos os envolvidos em uma movimentação global?

Quando há a implementação do home office, por exemplo, há muitas pessoas se sentem perdidas com uma ilusão de liberdade, se esquecendo que, mesmo dentro da autonomia há responsabilidades e resultados – o celular continua funcionando, dando o seu melhor, mesmo sem estar conectado ao carregador de celular.

Relacionamento

A pandemia escancarou a necessidade que temos de relacionamentos saudáveis, em todas as áreas de nossas vidas. No trabalho não é diferente, nosso relacionamento com nossos clientes, com nossos parceiros, com nossos colegas de departamento tem de ser bom.

Relacionamento é networking, e networking é troca de conhecimento. Participem de grupos de networking, sigam influencers na área, estudem e compartilhem, fomentem o relacionamento com todos os que amam Global Mobility!

Ainda, com os clientes, ou melhor, com os expatriados, nosso relacionamento deve ser o melhor possível, principalmente agora. Nós, profissionais da área, estamos em nosso próprio sistema de suporte (nossas famílias, nossos amigos e nossa comunidade), ao contrário de nossos clientes, que podem estar presos em outros países ou tiveram que deixar tudo para trás e pegar o home-leave para poder se refugiar em seus home countries.

A Experiência do expatriado é marcada, também, pelos relacionamentos criados em filiais internacionais da empresa, e cuidar disso é responsabilidade nossa. E a base de todo relacionamento é a confiança. Trabalhe para que confiem em você e no que você faz.

Imparcialidade

Fazer todo esse exercício, buscando a fotografia real do seu trabalho, dos seus relacionamentos e seus clientes, é importante chegar em um denominador comum: o Ganha-Ganha.

Ambos os lados da negociação, seja ela qual for, tem que sair ganhando.

Sim, eu sei, Mobilidade Global, por si só, não é um ganha-ganha – na expatriação pode-se sair perdendo em algum aspecto. Entretanto, o foco de todos os processos, ações, decisões deve ter como alvo ambos os lados ganhando.

Se não quisermos que o outro alcance o melhor, não vamos longe em nossas carreiras. Nossos processos precisam buscar que ambos os lados, empresa e expatriado (e co-expatriados também) estejam satisfeitos e confortáveis.

Caso qualquer um dos lados esteja perdendo, onde haja certa parcialidade, que resulte em um dos lados somente ganhar algo, o outro lado se sente prejudicado, e na defensiva. Fazendo com que a confiança se quebre, e a parceria seja diminuida, ou até desfeita.

O Modelo SCARF tem seu foco nas relações humanas. Aplicá-lo à Mobilidade Global nos ajuda a olhar para nós mesmos, e olhar para nosso principal cliente: o Expatriado (e Co-Expatriados); e como fazer com que nossa parceria seja melhorada.

Há muito o que ser feito em Global Mobility, por mais que os pilares da área (Imigração, Relocation e Taxes) estejam em um momento de adaptação ao novo cenário, e, um ponto positivo da pandemia é poder olhar para dentro, e, melhorar o que for possível.

Aproveite esse momento para olhar para si mesmo, para o seu trabalho, para a contribuição que traz, não só para a sua empresa, mas, também para as pessoas à sua volta. Conte com pessoas em que confia, invista em seus relacionamentos e em você mesmo. Sempre faça seu melhor – quem saiba você não cria algo novo, como o Sir Newton?

Sobre o autor

Danyel Andre Margarido possui mais de dez anos de experiência em Mobilidade Global e Expatriados, atuando como consultor de Global Mobility na EMDOC, e fundador da Altiore Experience; já realizou a movimentação de mais de 2000 famílias pelo mundo. É formado em Relações Internacionais pela UniFMU, com especialização em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito, MBA em Recursos Humanos, pela Anhembi Morumbi, e um mestrado profissional em Recursos Humanos Internacionais, pela Rome Business School.


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