Comunidade malinesa em SP pede união por uma vida melhor e em prol da África

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“Sozinho, um dedo não pode levantar uma pedra. Ele precisa de outros dedos, braços e pernas para essa tarefa”. Foi com essa mensagem e o objetivo de união em mente que a União Malinesa de São Paulo (UMSPB) chamou cidadãos do Mali e de outros países para a terceira conferência da entidade, realizada neste domingo (20) no auditório da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, região central da capital.

Diretoria da UMSPB presidiu a Conferência dos malineses em São Paulo, que reuniu também imigrantes de outras nacionalidades. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Diretoria da UMSPB presidiu a Conferência dos malineses em São Paulo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Logo no início do encontro, nomes de colaboradores e convidados da associação (brasileiros e imigrantes) foram lembrados um a um pelo conselheiro Moussa n’daye (Grand Papa), em uma mostra de gratidão pelo apoio. O evento foi em francês e português, de modo que todos os participantes pudessem entender as discussões.

Embora o evento fosse organizado pela comunidade malinesa, representantes de diversas nacionalidades marcaram presença, de brasileiros a latinos e nativos de países africanos como Senegal, Burkina Faso, República Democrática do Congo, Nigéria, Guiné-Bissau, entre outros.

Malineses e imigrantes de outras nacionalidades marcaram presença no encontro. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Malineses e imigrantes de outras nacionalidades marcaram presença no encontro.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

O chamado de união foi direcionado não apenas aos cidadãos do Mali, mas também aos de outros países africanos que sofrem com disputas e conflitos internos que desestabilizam a economia e a sociedade locais. União que deve servir de exemplo aos conterrâneos que ficaram na terra natal e também para que a comunidade africana no Brasil possa lutar por uma vida melhor.

“Uma pessoa, um objetivo, uma fé. É indivisível o Mali”, disse o presidente da UMSPB,  Saddo Ag Almouloud, ao lembrar dos conflitos que atualmente afetam o país, em especial na região norte. “A união é uma luta na qual o bem ganha do mal e busca a reconciliação entre todos os irmãos”, completou o dirigente, ao pregar tal sentimento entre os cidadãos do país que vivem no exterior.

Mapa da África com destaque para a localização do Mali, país independente desde 1960. Crédito: Wikipedia
Mapa da África com destaque para a localização do Mali, país independente desde 1960.
Crédito: Wikipedia

O encontro foi parabenizado pelo poder público municipal, representado pelo coordenador de Políticas Públicas para Imigrantes da Prefeitura, Paulo Illes, que atuou para que a associação pudesse realizar o encontro no auditório da secretaria. “A Secretaria de Direitos Humanos ficou mais bonita hoje. Em um dia de domingo, a comunidade africana de São Paulo se reúne por iniciativa própria e mostra o protagonismo de vocês, imigrantes, que vêm aqui para conversar sobre os problemas que vocês enfrentam”.

Durante o encontro, os organizadores aproveitaram para mobilizar a comunidade em torno de uma das próximas festividades dos malineses, a Festa de Independência do país (conquistada em 1960), a ser celebrada no próximo dia 22 de setembro na Praça da Sé, no coração de São Paulo.

Improviso e descontração para abordar os problemas

As barreiras enfrentadas pelos malineses são semelhantes aos de outros imigrantes em São Paulo. E uma deles, a inclusão bancária, foi lembrada de maneira lúdica e descontraída com uma pequena encenação improvisada no auditório.

Encenação retratou problemas que os imigrantes enfrentam ao tentar abrir conta bancária. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Encenação retratou problemas que os imigrantes enfrentam ao tentar abrir conta bancária.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Nela, os imigrantes descreveram as dificuldades que já tiveram ao tentar abrir conta em uma agência – documentos rejeitados, tratamento depreciativo, falta de orientação, entre outros. No auditório, os imigrantes presentes riam e se identificavam com as situações representadas.

“Infelizmente a situação que vocês apresentaram aqui é a mais pura realidade. Temos tentado de alguma maneira buscar soluções, mas essa é uma luta muito longa”, explica Illes. Trata-se de mais uma barreira a ser superada em conjunto por malineses e pelos demais imigrantes.

Público presente no encontro ri e se identifica com os problemas retratados na encenação. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Público presente no encontro ri e se identifica com os problemas retratados na encenação.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

A conferência continuou ao longo da tarde de domingo, com outras atividades culturais,  – música e uma poesia composta pelo vice-secretário da UMSPB, Adama Konate (que será publicada em breve neste blog). Além, é claro, de mais debates movidos pelo desejo de união entre os cidadãos malineses e de outras nacionalidades. Com essa união, e mostrando o quanto ela é benéfica à sociedade, mais e mais pedras poderão ser removidas.

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