Copa Gringos deixa amizades como grande legado e deve virar Liga Gringos ainda este ano

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Sucesso de público e crítica, a Copa Gringos chega ao seu final neste domingo (Bolívia e Camarões decidem o título). Mas o projeto tem rendido frutos e deve virar uma liga de pontos corridos ainda neste ano. É o que conta o organizador do torneio, o francês Stephane Darmani, em entrevista exclusiva ao blog sobre a repercussão do projeto e planos futuros.

“Fizemos uma pesquisa de opinião com os jogadores e em torno de 92% ou 93% querem jogar mais, até mesmo já no próximo semestre. É bem provável que em setembro já tenhamos um novo campeonato de estrangeiros aqui em São Paulo. Acredito que ele vai acontecer, só não tenho certeza quanto ao número de times”, conta Darmani, que já busca meios de viabilizar o torneio e a inclusão de seleções que acabaram ficando de fora da Copa.

Outro ponto valorizado por Darmani são os vínculos de amizade criados em função da Copa Gringos. “Pessoas que não se conheciam pessoalmente antes hoje frequentam a casa um do outro, são amizades reais. Criamos grupos de amigos, e isso é outra coisa que eu valorizo muito, além do resultado esportivo”. Lei mais na entrevista abaixo:

Você já teve experiência com a virada esportiva. Qual expectativa em relação ao torneio e como você o avalia agora?

A principal expectativa era chegar a 24 times, para dar consistência ao campeonato. E também que ninguém se machucasse, que não tivesse violência nos jogos, e que o público participasse. Acho que esse é o grande mérito, porque os jogadores estão felizes, a torcida está comparecendo e gostando, dá para ver o sorriso no rosto das pessoas. Nós estrangeiros temos pouca oportunidade de torcer (algumas seleções sequer estão na Copa da Fifa). E se tem uma alegria que o futebol pode dar é essa alegria nos rostos dos torcedores.

E também você vê muitos jogadores que fizeram amizade entre si. Acho que esse é o grande legado da Copa Gringos. Não sei qual será o legado da Copa do Mundo, mas pelo menos na Copa Gringos – pelo que vejo no time francês e outros, como Chile e Peru, que foram montados às pressas –  pessoas que não se conheciam pessoalmente antes hoje frequentam a casa um do outro, são amizades reais. Criamos grupos de amigos, e isso é outra coisa que eu valorizo muito, além do resultado esportivo.

O francês Stephane Darmani, organizador da Copa Gringos, durante a rodada de abertura do torneio - que deve virar Liga ainda neste ano. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
O francês Stephane Darmani, organizador da Copa Gringos, durante a rodada de abertura do torneio – que deve virar Liga ainda neste ano.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Quais as dificuldades encontradas para organizar esse torneio, além de formar os 24 times?

O maior desafio foram os patrocinadores, a viabilização financeira. Durante o torneio até conseguimos um novo, que é o Quintal do Espeto, um bar que se interessou em tentar trazer os gringos para ver os jogos da Copa. Esperava colocar os nomes dos patrocinadores nas camisas, mas não consegui e acabei colocando o da minha empresa (a La Vista produtora). Agora que a Copa Gringos foi um sucesso esperamos conseguir mais patrocinadores, mas infelizmente muitas marcas ainda não se interessam pelo mundo amador do futebol e estão voltadas demais para o profissional. Infelizmente o futebol foi para esse lado.

Apesar de todas essas dificuldades, a Copa Gringos chegou até o seu final e foi bem sucedida. Haverá uma nova edição?

A nossa ideia é de formar a Liga Gringos ainda neste ano, um campeonato de pontos corridos onde todos jogam contra todos. Fizemos uma pesquisa de opinião com os jogadores e em torno de 92% ou 93% querem jogar mais, até mesmo já no próximo semestre. Vamos tentar fechar com os times, porque serão mais dias de jogos, alguns podem ter problemas de caixa e de presença para as partidas. É bem provável que em setembro já tenhamos um novo campeonato de estrangeiros aqui em São Paulo. Acredito que ele vai acontecer, só não tenho certeza quanto ao número de times.

Projeto virou sucesso entre as comunidades e foi destaque na imprensa. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Projeto virou sucesso entre as comunidades e foi destaque na imprensa.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Então muito mais do que uma nova Copa Gringos, a ideia seria criar uma Liga Gringos ainda esse ano?

Sim, porque eles querem jogar mais. Nosso evento não está ligado à Copa do Mundo, ele nasceu para ficar. Os estrangeiros gostaram, alguns times já tem novos jogadores e estão se preparando e com certeza vão chegar mais fortes para setembro. O pessoal quer jogar, ter competição. Eu mesmo quando cheguei a São Paulo queria jogar bola, não só uma pelada entre amigos, mas também uma competição. Para eles é a mesma coisa. É isso que o campeonato pretende fazer, preencher essa demanda desses jogadores que querem jogar, das torcidas que querem vir torcer, agregando mais jogadores e amigos. Como te falei, não é o jogo apenas em si, mas o churrasco que acontece depois, se encontrar durante a semana, a amizade em si. Isso não pode parar. Por todos esses motivos esperamos que pelo menos uns 12 ou 18 times possam fechar um campeonato para setembro. Depende de patrocínio, de quantas rodadas vamos ter. E já na festa de premiação da Copa [neste domingo] vamos começar uma proposta de calendário e valores.

Depois que a Copa começou, alguma comunidade quis aderir ao torneio?

Até onde eu soube não teve nenhum time que se arrependeu de não ter aderido. Vou retomar o contato com algumas comunidades que ficaram perto de fechar time – Holanda, Angola, Coreia do Sul, entre outras. Gostaria de incluir também o Haiti, com a nova realidade de imigração deles, e também outras como Senegal e Costa do Marfim. Nossa busca por patrocínio é não apenas para ajudar a custear a organização da novo torneio, mas também para viabilizar novos times, atuando até mesmo como uma espécie de mecenas deles. Vamos ver se pode ter alguma ajuda também da Prefeitura de São Paulo ou até mesmo de pessoas físicas que tenham alguma simpatia por essa ou aquela comunidade. Seria fantástico se uma comunidade que sofre por diversos motivos tivesse um time para vir torcer e dar uma alegria para ela.

1 COMENTÁRIO

  1. […] Além dos jogos e dos momentos de confraternização seguintes, a expectativa é que a continuidade da Copa ajude a valorizar o lado cosmopolita de São Paulo, unindo em torno do futebol pessoas de diferentes origens, histórias e situações: de refugiados políticos a diplomatas, passando por executivos, mecânicos, estudantes e operários. E também manter os laços de amizade criados dentro e fora das comunidades – apontado como um dos legados do torneio. […]

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