Defender a diversidade é grande presente para o aniversário de São Paulo

No aniversário de São Paulo, MigraMundo aproveita para valorizar a presença de imigrantes do passado e do presente, e a diversidade que entregam à cidade

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Diferentes nacionalidades, bandeiras e culturas se unem na Marcha dos Imigrantes 2016. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Um “resumo do mundo“. Assim o poeta Guilherme de Almeida definiu São Paulo, no longínquo ano de 1929. Felizmente o apelido ainda é adequado para descrever a capital paulista, que completa 466 anos neste sábado (25).

É possível conhecer pequenos fragmentos do mapa-múndi sem precisar deixar a cidade. Uma diversidade que se deve muito à presença de migrantes do passado e do presente em São Paulo.

Valorizar, cultivar e preservar essa diversidade é, ao mesmo tempo, uma dádiva e uma responsabilidade enorme. 

Volta ao mundo em poucos passos

Em food trucks pela cidade, provavelmente você ainda encontrará um imigrante oferecendo um pouco de sua cultura por meio da gastronomia. Caso o movimento esteja tranquilo, vale a pena bater um papo com ele e aprimorar a viagem a outro país sem sair de São Paulo.

Em poucos quarteirões no centro de São Paulo, por exemplo, é possível ir de um restaurante peruano a outro de Camarões. Na zona leste, ente o Brás e a Mooca, há ruas que te levam para pedacinhos da Bolívia.

Na região da Vila Prudente e Vila Zelina, nomes de ruas e uma feira mensal remetem à herança deixada por imigrantes do leste europeu.

Em certas igrejas, missas e cultos estão disponíveis em outras línguas além do português: espanhol, inglês, italiano, alemão, ucraniano, russo, lituano, polonês, coreano, japonês, árabe e mandarim.

Claro, não dá para esquecer das mesquitas nas quais os muçulmanos, de qualquer origem, usam o árabe para orar.

Passado e presente

A diversidade também atualiza bairros com DNA migrante. Associada a comunidades de países asiáticos, a Liberdade também hoje abriga congoleses, haitianos e outros representantes de migrações recentes.  O mesmo acontece com Brás e Mooca, velhos redutos da comunidade italiana, hoje com sotaques e sons mais latinos.

Os bolivianos, aliás, que hoje são a maior comunidade migrante em São Paulo e tem uma de suas festas, a Alasitas, inserida no calendário oficial de eventos da cidade.

Além da Alasitas, a Yunza, celebrada especialmente pela comunidade peruana, também conquistou tal reconhecimento e espaço.

Isso sem falar, é claro, em eventos como a Festa do Imigrante, que tornam ainda menor essa distância entre os países e entre as migrações do passado e do presente.

Legado de reivindicações

Essa presença migrante no cotidiano de São Paulo é fruto de anos de trabalho, lutas e resiliência perante preconceitos e resistências de ontem e de hoje.

Parte desses avanços está traduzida, ainda que precisando de ajustes, na Política Municipal para a População Imigrante, em vigor desde o final de 2016.

Por ela, ações como o CRAI (Centro de Referência e Atendimento ao Imigrante) e a presença de imigrantes em conselhos participativos voluntários se tornaram políticas públicas, e não atos de uma única gestão.

Independente da origem, todos aqueles que circulam diariamente pela cidade —habitantes ou não— têm sobre si a responsabilidade de ajudar na preservação dessa diversidade.

Valorizar e defender essa característica é um belo presente a ser oferecido à cidade e aos seus habitantes, ainda que muitos não o entendam em princípio.


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