Documentário SP Creole mostra vida e condições dos haitianos que vivem em São Paulo

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Como vivem os haitianos que chegam a São Paulo? Que dificuldades enfrentam e o que contam aqueles que, de uma forma ou de outra, conseguiram se estabelecer no Brasil? Conhecer um pouco melhor essa trajetória e jogar luz sobre essa realidade é o objetivo do documentário SP Creole, desenvolvido como projeto de conclusão de curso de alunos do oitavo semestre de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

Apresentado e aprovado no final de 2014, o documentário foi premiado pelo canal Futura, onde o vídeo deve ser veiculado em breve. A equipe é formada por Debora Komukai, Jose Magalhães, Kevin Damasio, Pamela Passarella, Thais Lopes e Karen Bogdzevicius.

A produção está disponível na internet (pelo YouTube), mas também pode ser vista no player abaixo. Além disso, o SP Creole também conta com um site que contêm outras informações e imagens dos personagens do vídeo (acesse aqui).

O documentário mostra como os imigrantes do Haiti chegam ao Acre e à capital paulista, além das dificuldades que enfrentam no Brasil (tanto em São Paulo como na chegada ao território brasileiro). No caminho até a fronteira com o Acre, ficam sujeitos à ação de coiotes; já no Brasil, estão retratados um pouco do cotidiano no abrigo em Rio Branco, a viagem de quase 4.000 km até São Paulo em ônibus fretados pelo governo acreano e os desafios e histórias de quem já está na capital paulista.

Chegada a São Paulo é cercada de esperança e incertezas. Crédito: Kevin Damasio/SP Creole
Chegada a São Paulo é cercada de esperança e incertezas.
Crédito: Kevin Damasio/SP Creole

Muitos haitianos em São Paulo vivem em abrigos, casas de parentes ou em ocupações de edifícios abandonados. No vídeo, a equipe ouviu haitianos que estavam na ocupação do Palacete do Carmo, na região central, que passou por reintegração de posse em novembro passado – cerca de 400 haitianos ficaram desalojados e tiveram de recorrer aos abrigos da Prefeitura de São Paulo, da Missão Paz ou casas de amigos e parentes.

No documentário tem grande destaque o papel exercido pela Missão Paz no acolhimento e orientação aos imigrantes (não apenas haitianos). Segundo dados da instituição, em torno de 2.000 haitianos conseguiram trabalho por meio dos programas da instituição que orientam imigrantes e empresários interessados na contratação dessas pessoas.

Em breve, o MigraMundo terá uma entrevista com a equipe do SP Creole para entender os bastidores da produção e os próximos passos do projeto.

O padre Onac Axenat, que denunciou o coiotismo sofrido pelos haitianos no caminho até o Brasil. Crédito: SP Creole
O padre Onac Axenat, que denunciou o coiotismo sofrido pelos haitianos no caminho até o Brasil.
Crédito: SP Creole

Alguns números e curiosidades

Usando dados da Organização Internacional das Migrações (OIM), o documentário traz números interessantes sobre a presença dos haitianos no Brasil. A maioria (24%) está em São Paulo, seguida de Manaus (13%) e Porto Velho (6%). Há também uma população considerável dispersa em cidades da região Sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

A projeção da OIM era de que, ao final de 2014, 50 mil haitianos teriam chegado ao Brasil – sendo 12 mil apenas em São Paulo.

A maioria dos haitianos é empregada na construção civil, seguida da indústria de alimentos, serviços gerais e comércio – mas também podem ser encontrados em outras atividades econômicas.

Louides Charles, 36, tecladista da banda Satellite. Crédito: Debora Komukai/SP Creole
Louides Charles, 36, tecladista da banda Satellite.
Crédito: Debora Komukai/SP Creole

Apesar das dificuldades, existem haitianos que conseguem se estabelecer e já é possível até notar o surgimento de uma cena cultural haitiana, com a formação de grupos como o Satellite (também retratado em matéria do jornal Folha de S.Paulo em setembro de 2014).

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