Domingo de festa na Missão Paz celebra cultura e história do Haiti

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No lugar de colchões e cobertores, havia mesas, cadeiras e um ambiente todo preparado para festa. E assim o auditório da Missão Paz, que chegou a abrigar 200 imigrantes ao mesmo tempo, foi o palco principal da Festa da Bandeira do Haiti neste domingo (18). Aproximadamente 300 pessoas participaram da comemoração.

Haitianos aproveitam final da missa para posar com a bandeira nacional. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Haitianos aproveitam final da missa para posar com a bandeira nacional.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

O evento lembra a vitória do país sobre a França, da qual era a mais rica das colônias, em 18 de maio de 1803 – a independência foi formalizada em janeiro do ano seguinte, tornando o Haiti o segundo país a se tornar livre nas Américas. E também serve como uma forma de ver o Haiti além das notícias e dos atritos políticos que foram destaque nas últimas semanas.

“Essa festa é um momento de alegria para cada haitiano, dentro ou fora do país. É um momento muito especial que não pode passar em branco, no qual ressaltamos nossa liberdade, nossa alegria de ser haitiano e também festejar a bandeira do Haiti”, explica o religioso haitiano Pierre Vertus sobre a importância do evento.

“Estou muito contente por ter uma Festa da Bandeira do Haiti aqui e poder estar com outras pessoas que vieram do Haiti para cá”, diz Lafbactuel Abla, que está há dois anos no Brasil.

A festa foi precedida por uma missa em francês – como é de costume no terceiro domingo de cada mês na Paróquia Nossa Senhora da Paz, centro de São Paulo e sede da Missão Paz. Embora o número de católicos não seja tão grande entre os haitianos no país, a celebração serviu como uma espécie de aquecimento para o evento.

Onde antes haviam colchões, agora se veem mesas e cadeiras para a Festa da Bandeira. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Onde antes haviam colchões, agora se veem mesas e cadeiras para a Festa da Bandeira.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Já a festa propriamente dita foi aberta logo após a missa, com a execução do Hino Nacional do Haiti – cantado a plenos pulmões pelos presentes – e seguido de apresentações culturais haitianas. O cardápio do evento era composto por frango, batata frita e saladas – uma delas com tempero bem picante e um prato cheio para quem gosta de pimenta.

Haitianos cantam o Hino Nacional durante a Festa da Bandeira do Haiti. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Haitianos cantam o Hino Nacional durante a Festa da Bandeira do Haiti.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Ainda durante a missa, os demais presentes (migrantes ou nativos) também foram convidados a participar da Festa da Bandeira, e era possível notar pessoas do Brasil e de outros países latinos acompanhando o evento.

Espaço para acolhida e festa

O mesmo salão que ganhou as cores da bandeira haitiana e abrigou a festa deste domingo estava repleto de colchões e cobertores há poucas semanas atrás, para dar conta do fluxo diário de haitianos que então chegavam à Missão Paz.

Para o padre Paolo Parise, responsável pela entidade, há dois significados nesse uso duplo do espaço. “Do lado externo, mostra que o migrante não é só o momento da necessidade, mas também o DNA da história que está carregando consigo, da sua história e do seu povo. E internamente mostra que a Missão Paz se preocupa não só com o momento emergencial mas também com a globalidade da pessoa em todas as suas dimensões culturais”.

Auditório decorado com as cores da bandeira do Haiti, a poucos minutos do início da festa. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Auditório decorado com as cores da bandeira do Haiti, a poucos minutos do início da festa.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Cédrick Roche, representante da Embaixada do Haiti no Brasil e que esteve presente à festa, mostrou sua gratidão pela acolhida que os haitianos têm recebido na Missão. “Acho uma coisa muito bonita ter esse apoio para se integrar na comunidade. É um bom trabalho que está sendo feito aqui”.

É claro que a Festa da Bandeira do Haiti não significa que a questão migratória esteja encerrada, pelo contrário. Mas o caso dos haitianos é emblemático e didático por dois fatores: expõe as falhas e lacunas na legislação e política migratórias no país, e a necessidade de revê-las; mas também mostra diversas formas de expressão e possibilidades de inserção destes e de outros migrantes no Brasil, independente da nacionalidade.

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