Em nova fase, exposição “Ser Imigrante” chega ao metrô de São Paulo

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Você já parou para pensar nas condições que determinam a aceitação ou não de quem migra para o Brasil, seja em caráter temporário ou permanente? Pois é esse o objetivo da exposição “Ser Imigrante”, que chega hoje à estação República do metrô de São Paulo.

Exposição Ser Imigrante vai até o próximo dia 30 de março Crédito: Museu da Imigração
Exposição Ser Imigrante vai até o próximo dia 30 de março
Crédito: Museu da Imigração

A mostra é pautada na questão das políticas migratórias do Brasil e o quanto isso reflete na imagem do imigrante, ontem e hoje, com base em depoimentos diversos, registros históricos e materiais extraídos da imprensa. Uma das instalações convida o visitante a entrar em uma espécie de prisma no qual ele se vê diante de todos os termos -positivos ou pejorativos – em geral associados ao imigrante.

Além disso, o visitante é convidado a pegar um passaporte e participar de um jogo que o ajuda a entender o passo a passo da burocracia à qual o imigrante é submetido ao chegar ao país – um caminho que muitas vezes não é claro e que rende grande insegurança para o imigrante. Em suma, é um exercício que chama a atenção para a necessidade de se discutir uma nova legislação migratória brasileira.

Ao pegar seu passaporte para a exposição, você pode ter a "agradável" surpresa de ter seu visto deferido ou negado sem saber bem ao certo o porquê Crédito: Museu da Imigração
Ao pegar seu passaporte, você pode ter a “agradável” surpresa de ter seu visto deferido ou negado sem saber ao certo o motivo
Crédito: Museu da Imigração

A mostra fica em cartaz até o dia 30 de março de 2014 e disponibiliza visita orientada de segunda a sexta-feira das 10h às 20h, e aos sábados e domingos das 10h às 18h. O agendamento de grupos pode ser feito pelo do telefone (11) 2692-1866 (veja também o serviço ao final do post).

Nova fase

A ida ao metrô expressa uma nova fase na exposição, que ficou entre 12 de novembro de 2013 e 12 de janeiro deste ano ao lado da Igreja Nossa Senhora dos Ferroviários, no limite entre os bairros da Mooca e do Brás – bairros com heranças das migrações históricas e que também convivem com os fluxos contemporâneos – e feita em parceria com o Arsenal da Esperança, que atende cerca de 1.200 moradores de rua por noite (segundo a própria instituição, cerca de 20% deles são imigrantes).

Segundo Marília Bonas, diretora-executiva do Museu, a ideia da mostra era de promover a aproximação do trabalho feito pela instituição e pelo Arsenal com os moradores do entorno. “Muitas vezes eles não entendem o que é o trabalho do Arsenal ou do Museu e acabam às vezes reafirmando, por desconhecimento, uma cultura conservadora”.

Com a chegada ao metrô,  a exposição quer ampliar ampliar o debate sobre ser imigrante e aproximá-lo da sociedade. Crédito: Museu da Imigração
Com a chegada ao metrô, a exposição quer ampliar ampliar o debate sobre ser imigrante e aproximá-lo da sociedade.
Crédito: Museu da Imigração

Marília conta que a exposição teve boa aceitação junto aos moradores e atingiu seu objetivo junto à comunidade. “Agora temos muitos apoiadores aqui no entorno, pessoas felizes com a reabertura próxima do Museu, o que é muito gratificante”. Agora no metrô, a missão é ampliar o debate sobre ser imigrante e de aproximá-lo da sociedade. Existe ainda a ideia de associar a mostra a outras atividades culturais, promovidas pelas próprias comunidades de imigrantes e descendentes.

Os acontecimentos recentes de agressões a imigrantes dentro do metrô tornam o debate e as reflexões propostas pelo Museu da Imigração ainda mais atuais e urgentes. “É uma maneira de o Museu trazer essa discussão para o espaço no qual aconteceram esses fatos, de despertar as pessoas do desconhecimento do que é a fronteira de ser imigrante ou não, ser documentado ou não, e do grau de insegurança e vulnerabilidade que isso gera para essas pessoas”, explica Marília.

Reabertura do Museu da Imigração a caminho

A mostra “Ser Imigrante” faz parte ainda de uma série de eventos preparados pelo Museu da Imigração que antecedem a reabertura das suas instalações físicas, prevista ainda para o primeiro semestre deste ano.

Antigamente chamado de Memorial do Imigrante, o Museu assumiu a nova nomenclatura em 2010, quando a Hospedaria do Brás – que serviu de morada para milhares de migrantes e abrigava o Memorial – começou a ser restaurada. De acordo com Marília, a mudança faz parte de um reposicionamento geral da instituição. “O Museu da Imigração chega com uma proposta que tem como objetivo maior ampliar a discussão não só em um ponto de vista memorialista, associado às migrações dos séculos XIX e XX, mas também chegar até a contemporaneidade e falar do direito de imigrar como um movimento humano e associar a questão do direito de imigrar à construção da identidade de São Paulo”.

As obras devem ser concluídas já no próximo mês, permitindo o início do processo de reinstalação do Museu. Após a retomada das atividades, o Museu pretende fomentar a discussão sobre o patrimônio relacionado aos processos migratórios ligados a São Paulo. Outro objetivo é de se tornar um espaço de articulação, promovendo reflexões sobre a experiência do deslocamento e a construção da identidade paulista a partir de múltiplas origens.

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