Festa do Señor de los Milagros é marco da cultura peruana e latino-americana

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Colaboração de Alexandre Pereira Alves e Víctor Gonzales Linares

Penso que depois dos meses em que se celebram a Páscoa e o Natal, o mês de outubro é o mais fortemente marcado pela religiosidade católica. No Brasil, milhares de fiéis se dirigem às cidades de Aparecida, no interior de São Paulo e Belém, capital do Pará, para as festas devocionais marianas mais populares no país, Nossa Senhora da Conceição Aparecida e Nossa Senhora de Nazaré, respectivamente.

Embora haja um grupo pouco numeroso em face de outros contingentes populacionais, a comunidade peruana residente em São Paulo celebrou no último domingo de outubro a festa do Señor de los Milagros, uma das maiores festas religiosas de toda América Latina. Mesmo pequena, a festa na cidade já ressalta seu caráter devocional e agregador.

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Em meados do século XVII, um negro angolano pintou em uma rústica parede de adobe uma imagem de Jesus Cristo crucificado, para veneração de seus confrades da região de Pachacamilla em Lima, capital do Peru. Por duas vezes a região foi parcialmente destruída por intensos e violentos terremotos e maremotos. Mas, para admiração dos moradores, a humilde parede que sustentava a pintura do Cristo Moreno permanecia de pé. Reproduziram essa imagem em uma grande tela e saíram às ruas locais propagando assim a devoção ao Señor de los Milagros.

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Os festejos do Señor de los Milagros desfazem qualquer distinção de classes sociais, levando às ruas homens e mulheres simplesmente devotos, independendo de classe social, profissão e há quem diga até mesmo independente de religião. A festa traz à pátria peruanos que residem no exterior, e aqueles que não podem voltar à sua terra natal a celebram onde vivem – como fizeram os peruanos residentes na cosmopolita São Paulo.

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A festa compõe-se basicamente de uma missa acompanhada por uma procissão que em Lima chega a ser participada por milhões de peregrinos. Realizada na paróquia Nossa Senhora da Paz, no bairro do Glicério, região central de São Paulo, local com numeroso contingente de imigrantes latino-americanos, os festejos contaram com a presença do bispo Salvador Piñeiro García-Calderón vindo de Ayacucho. Com a visita religiosa vinda do Peru o evento começou com uma procissão seguida da missa, também se realizou uma animada tarde cultural com a participação de grupos culturais que dançaram as belezas da Bolívia, Paraguai, Chile e Peru, todos os presentes puderam saborear a gastronomia peruana bastante badalada na atualidade. Muitos brasileiros se hermanaran da cultura peruana, concretizando uma das mais notórias notas da festa, a unidade, tanto que um deles escreveu um poema ao Señor de los Milagros e a todo povo peruano.

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Milagros

Passos marcados.
Hábitos morados.
Olhos marejados,
seguem o Cristo crucificado!

Homens, mulheres, crianças.
Fé, devoção, lembrança.

Todos param.
Uns oram.
Outros choram.
E ao cristo imploram 

Homens, mulheres, crianças.
Fé, devoção e lembrança.

Incenso, velas e flores
são oferecidas
ao Senhor das dores!
E segue a andança.

Homens mulheres, crianças.
Fé, devoção lembrança.

Da Selva vem,
da Serra também
e, com os da Costa
entoam o amém

Homens mulheres, crianças.
Fé, devoção lembrança.
Mesmo distante do lar
enfeitam todos o altar

com Cristo a guiar
Saem todos a rezar

Homens, mulheres, crianças.
Fé, devoção, lembrança.

Alexandre Pereira Alves
Víctor Gonzales Linares

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