Fórum em SP busca romper fronteiras no debate das diásporas contemporâneas

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Evento internacional que acontece em novembro na USP procura criar espaços para promover a troca de saberes e resistências locais e globais num contexto de migrações

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)

Assim como aqueles que migram, a temática dos deslocamentos humanos atravessa diferentes tipos de fronteira, materiais ou imateriais. E como entender as diferentes possibilidades de comunicação e de conhecimento que podem ser criadas a partir desse movimento?

Esse é o desafio ao qual se propõe o I Fórum Internacional Fontié Ki Kwaze, que tem como tema “Fronteiras Cruzadas: O Desafio das Comunicações diante das Populações em Deslocamento”, que acontece de 6 a 8 de novembro na Escola de Comunicação e Artes da USP, em São Paulo.

O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas aqui. Também será possível se inscrever no local, considerando disponibilidade de vagas.

Para essa tarefa de cruzar diferentes fronteiras, o Fórum pretende ser um espaço de conexão entre pesquisadores, estudantes, artistas, gestores públicos, trabalhadores de diversas categorias e a sociedade civil (independente da nacionalidade). Para tal, a programação de atividades engloba conferências, arenas de debate, performances e oficinas com pesquisadores, artistas e ativistas nacionais e internacionais.

Serão três eixos temáticos principais: Desafios e perspectivas no campo da comunicação, política e direitos humanos; Experiências diaspóricas: corpos, tempos e histórias; e Fronteiras Cruzadas: arte, história e trabalho.

Clique aqui para acessar a programação

Driblando censura

As atividades, aliás, já tiveram início. No último sábado (21) aconteceu a performance Migranto, com bonecos em escala humana concebidos pelos artistas Paulo Zeminian e Artur Matuck. dentro do Museu da Saúde Publica, no Bom Retiro, bairro da região central de São Paulo.

Performance Migranto no Museu de Saúde Pública, em São Paulo.
Crédito: Divulgação

De acordo com a organização do Fórum, a ideia inicial era de realizar a ação dentro um festival de rua no Bom Retiro, mas órgãos do governo solicitaram análise prévia de conteúdo audiovisual que seriam exibidos em praça pública, além de entraves burocráticos. A censura foi contornada com a realização da performance no museu, que foi antecedida por um cortejo que saiu da estação Tiradentes do metrô que protestou contra a impossibilidade de realização do festival na rua.

Sobre o Fórum

O Fórum Internacional Fontié Ki Kwaze tem a coordenação geral do professor Artur Matuck e é organizado pelo Departamento de Relações Públicas, pelo COLABOR – Centro de Pesquisa em Linguagens Digitais, ambos da ECA-USP; pelo Programa de Pós-graduação Interunidades em Estética e História da Arte da USP; e pelo Núcleo de Arte, Mídia e Política das Ciências Sociais (NEAMP) da PUC-SP. O projeto tem financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Fontié Ki Kwaze, aliás, significa “Fronteiras Cruzadas” em créole haitiano e faz referência ao Haiti, primeiro país a organizar uma revolução de escravos negros iniciada, em 1791, que derrotou a sangrenta exploração colonialista francesa e declarou a primeira república independente da América Latina em 1804. O Haiti luta até hoje contra as novas formas de dominação imperialista representada também pela recém superada ocupação armada pela Minustah, liderada pelo Estado brasileiro.

Necessidade de diálogo e união

O novo Fórum pode ser entendido ainda dentro de um contexto no qual é cada vez maior a preocupação de romper as fronteiras entre as diferentes áreas do saber e tentar conectar setores como academia, sociedade civil, gestão pública, movimentos sociais e os próprios migrantes.

Só no mês de outubro, por exemplo, o MigraMundo acompanhou in loco duas atividades nesse sentido. Uma delas foi a quinta edição do Seminário Vozes e Olhares Cruzados, cujo lema foi “Rompendo Fronteiras, Trabalhando pela Vida” e contou com o lançamento de uma campanha internacional sobre migrações.

Poucos dias depois, no Rio de Janeiro, o IX Fórum de Migrações e V Simpósio de Pesquisas sobre Migrações teve como tema “Interculturalidade, comunicação e migrações transnacionais: fronteiras, políticas e cidadania” e reuniu acadêmicos de diversas vertentes teóricas, militantes, agentes da sociedade civil e coletivos migrantes em suas atividades.

I Fórum Internacional Fontié Ki Kwaze: “Fronteiras Cruzadas: O Desafio das Comunicações diante das Populações em Deslocamento”
Dias e horários: 06/11 – das 9h às 20h; 07/11 – das 9h às 20h30; e 08/11 – das 13h às 17h.
Local: Auditórios e salas do CRP-ECA-USP (Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Butantã) no Campus Butantã da Universidade de São Paulo.
Entrada: gratuita – inscrições aqui
Informações: site oficial do Fórum

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