Migração e saudade: em Goiás, Daniel encontrou a paz que precisava para criar

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Esta é a quinta parte da série Migração e Saudade, feita em conjunto com o Projeto Guadalupe, idealizado pela cineasta e fotógrafa Erica Suelen de Sousa. Ele retrata imigrantes que vivem em Brasília e arredores a partir de um sentimento comum a todos eles: a saudade.

Daniel: Encontrou no interior de Goiás a paz que precisava para criar

Por Erica Suelen de Sousa

O melhor lado de ser migrante e viajar pelo mundo são as pessoas que você encontra no caminho que de uma forma ou outra estão conectadas contigo, provando que mesmo imenso, o mundo é pequeno.

Daniel Pardo é da Espanha. Eu o conheci em uma viagem ao interior do Goiás, quando estendia minha pesquisa além de Brasília e entorno. Nessas viagens, conheci pessoas com histórias incríveis. Daniel é artista plástico, instrutor de yoga e terapeuta.

Escolheu a Chapada dos Veadeiros pela paz que encontrou no interior de Goiás que não encontrava há tempo em qualquer outro lugar já visitado. Conversando com Daniel percebíamos amigos em comum de outro país (República Dominicana), lugar onde migrei por muitos anos, lugar onde ele tem parentes conhecidos por mim, o que nos fez ter uma reflexão de quanto o mundo pode ser gigante e pequenino ao mesmo tempo, também percebendo que nosso mundo é um lar em comum, uma casa compartilhada. Minha entrevista com Daniel resultou ser a mais longa de todas, e, como sempre, em uma nova grande amizade.

Daniel Pardo, da Espanha para o interior de Goiás. Crédito: Erica Suelen de Sousa/Projeto Guadalupe
Daniel Pardo, da Espanha para o interior de Goiás.
Crédito: Erica Suelen de Sousa/Projeto Guadalupe

Quando Daniel me fala de saudade, muito sensível, entre minutos de silêncio e suspiros recapturava suas lembranças:

“Tengo “saudade”, extraño, co-crear con otras personas proyectos en común, artísticos, soy pintor y he venido aqui a la Chapada dos Veadeiros a pintar, es lo que estoy haciendo, pero luego también extraño cosas como comida, el marisco españo/gallego, no? Marisco espanhol. De Australia extraño los desayunos que son increíbles, enormes “big breakfast” lo llaman. Extraño algunos amigos que tengo que son muy fuera de lo comun. Locos, puedes llamarlos… que llaman la atención por la calle, o que tienen una forma de ser más abierta. Extraño eso porque de alguns forma se me contagia también cuando estoy con ellos. Entonces si no estoy con ellos, me siento más aburrido.”

“Sinto saudade de criar em conjunto com outros artistas projetos coletivos. Sou pintor e estou aqui na Chapada dos Veadeiros para pintar, é o que estou fazendo. Mas também sinto saudade de varias outras coisas como a comida, o marisco espanhol. Da Australia, sinto saudades dos grandes cafés da manhã. Sinto saudades também de alguns amigos que tenho que são fora do comum. Loucos, pessoas que chamam atenção na rua, que tem uma forma mais aberta. Sinto que quando estou com eles fico um pouco contagiado e mais extrovertido. Se não estou com eles me sinto mais entediado.”

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