O Que é Ser Imigrante, por Lu Boggio

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Ela espera aprender muito da cultura brasileira, mas a burocracia pode atrapalhar seus planos. Morando há dois anos no Brasil, a artista plástica argentina Luciana Boggio corre o risco de perder a vaga conquistada em um processo seletivo.

O motivo são as barreiras burocráticas na renovação de sua residência no país, problema encontrado por tantos outros imigrantes que aqui vivem.

Lu, como prefere ser chamada, nasceu em Tanti, na província de Córdoba (Argentina). Graduada em artes plásticas pela Universidade Nacional de Córdoba, já trabalhou com projetos educacionais em outros países da América Latina. Depois de atuar como vendedora em uma loja de móveis de São Paulo, Lu foi aprovada em um concurso para trabalhar no Sesc como instrutora de atividades infanto-juvenis. No entanto, as barreiras impostas pelo arcaico e confuso processo de regularização tem atrapalhado sua vida no Brasil.

Lu Boggio em frente à bandeira da Argentina. Assim como outros imigrantes, ela tem enfrentado problemas para regularizar sua situação. Crédito: Arquivo pessoal
Assim como outros imigrantes, Lu tem enfrentado problemas para regularizar a situação no país devido à forte burocracia.
Crédito: Arquivo pessoal

“No momento estou aguardando a decisão do setor jurídico sobre a contratação, para ver se posso trabalhar neste período em que estou pedindo a permanência. E preciso de uma constante renovação da minha carteira de trabalho, cada uns três meses especificamente, sem possuir residência definitiva, sendo que está em processo de avaliação,” explica Lu.

Convidada a responder à pergunta-título da série, Lu escolheu fazê-la por meio de um poema que, na verdade, é um retrato bem fiel da situação de expectativa e indefinição que vive atualmente. Para preservar a essência do relato, ele foi mantido em espanhol.

Além do agradecimento por ceder o relato, fica também a torcida para que em breve ela possa trazer boas notícias, regularizando sua situação.

Boa sorte, Lu!

Ser inmigrante
por Lu Boggio

Ser inmigrante es pertenecer y no pertenecer.
Es coraje, determinación.
Es paciencia, entrega y fe.
Expectativas, frustración.
Confianza en Dios, confianza en uno.
Es extrañar mucho, extrañar todo.
Es abrirse, aprender, desaprender. No desesperar.
Perderse, encontrarse; perderse nuevamente.
Es paciencia, tolerancia, fascinación e incomodidad.
Es amarse, cuidarse; valorar lo que tenias y conocías, que era familiar.
Enfrentar lo desconocido, incierto.
Es sorprenderse, es nostalgia.
Es un trámite, otro trámite y otro, y otro… y más otros.
Es nuevas personas, modos y formas.
Es ser un niño dentro de un adulto;
no entender mucho y ser ignorante de otro tanto.
Es un mundo, es verme, verte; renacer.
Es sin lógica, o mejor, con lógicas a veces inentendibles.
Es descubrir y conocer nuevas versiones de uno mismo.
Ser creativo, cara dura, flexible, adaptable.
Es percibir que hay y no hay fronteras. Sea donde sea que uno vaya, sea lo que sea que uno
quiera dejar atrás, lo llevará con uno; hasta que el verdadero cambio ocurra en nuestro ser
interior y no en un exterior.

 

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