Pesquisa mostra impacto do coronavírus sobre a migração venezuelana

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Família venezuelana caminha por estrada em Roraima em direção a Boa Vista. Crédito: ONU

O Observatorio Venezolano de Migración (OVM), da Universidad Católica Andres Bello (UCAB), divulgou na última semana um informe sobre a situação dos migrantes venezuelanos no exterior diante da atual pandemia do novo coronavírus (Covid-19). E os resultados, mesmo com as limitações impostas pelo atual cenário, são suficientes para mostrar que o impacto tem sido grande.

A pesquisa se baseia em retornos obtidos por e-mail de 390 pessoas entre 15 de abril e 15 de maio e pode ser acessada na íntegra por este link. As respostas englobaram especialmente venezuelanos atualmente vivendo na Colômbia, Chile, Peru e Equador — há registros residuais de respostas de venezuelanos na Argentina, Brasil, Panamá e Espanha.

De acordo com dados divulgados em maio por agências da ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 5 milhões de venezuelanos deixaram o país. Destes, 80% estão em nações da América Latina e Caribe.

Desemprego e perda de renda

Segundo as respostas ao levantamento, 42% dos venezuelanos declararam estar sem emprego, enquanto outros 22% ainda possuem emprego, mas estão em casa em razão da pandemia. Somente 3% declararam conseguir trabalhar de casa.

Entre os que ainda conseguem trabalhar, 9 em cada 10 venezuelanos relatou ter perdido renda em razão da pandemia. Dado esse que tem influência direta nas remessas de dinheiro do exterior em direção à Venezuela, que registrou uma queda de 20%. Muitos imigrantes e refugiados venezuelanos ainda contam com parentes vivendo no país natal.

Ainda de acordo com o levantamento, dois em cada três venezuelanos precisam de algum tipo de ajuda para garantir alimentação. E um em cada quatro não têm dinheiro algum para compras e dependem unicamente de doações.

Impacto de saúde

O OVM também questionou os venezuelanos emigrados sobre a situação de saúde em meio ao novo coronavírus. De acordo com as respostas, 61% relatou não ter apresentado qualquer sintoma ligado à doença, enquanto 19% deram resposta positiva e 20% não responderam. No entanto, apenas 15% declarou ter procurado algum serviço de saúde.

Apesar das restrições impostas para conter o coronavírus e seus efeitos, 61% dos venezuelanos que responderam à pesquisa se manifestaram favoráveis às medidas tomadas pelos governos.

Por outro lado, 52% creem que as medidas não levaram em conta as pessoas migrantes, independente da nacionalidade.

Voltar é opção?

A pesquisa também questionou se os venezuelanos no exterior consideravam um retorno ao país em razão da pandemia, onde ainda pelo menos poderiam ter um teto — 15% dos entrevistados declararam, por exemplo, estar em situação de rua. No entanto, os dados mostram um sentimento de divisão sobre essa opção.

De acordo com as respostas, 34% dos migrantes declararam não ter considerado a opção de retornar à Venezuela, enquanto 31% cogitam essa hipótese. Outros 16% não souberam responder e 20% simplesmente não responderam.

Por outro lado, 50% dos entrevistados creem ainda que em solo venezuelano teriam ainda menos garantias de proteção social do que dispõem nos países onde se encontram.

Pesquisa em curso no Brasil

No contexto brasileiro, uma pesquisa já em curso visa medir os impactos da atual pandemia sobre a população migrante em geral.

Desenvolvida e aplicada por um conjunto de instituições, a pesquisa “O Impacto da Covid-19 na Migração no Brasil” consiste em um questionário em seis idiomas — português, espanhol, inglês, francês, árabe e creole haitiano — que pode ser acessado e respondido por meio do link a seguir: http://pesquisacovidmigra.com.br/

O projeto é tocado pelas seguintes instituições: Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão Direitos Sociais e Migração (GIPE)/ PUC Minas; Grupo Distribuição Espacial da População (GEDEP)/PUC Minas; Observatório das Migrações em São Paulo/Núcleo de Estudos de População Elza Berquó/Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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