Presidente do Equador mostra modelos que permitem reflexões e inspirações aos imigrantes

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A Faculdade de Direito da USP, em São Paulo, foi palco nesta terça-feira (15) da palestra “Revolução Econômica e Educacional em Curso no Equador”, ministrada pelo presidente do país, Rafael Correa, que lotou o Salão Nobre da instituição. Na plateia estavam estudantes, autoridades, especialistas e migrantes de origens diversas, além de grande presença da imprensa equatoriana e latina.

O presidente do Equador, Rafael Correa, durante palestra na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo. Crédito: Planeta América Latina
O presidente do Equador, Rafael Correa, durante palestra na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo.
Crédito: Planeta América Latina

Durante sua fala, Correa mostrou que a questão do desenvolvimento de um país é um problema político, e não técnico, e enfatizou a importância de os países latino-americanos se articularem para ajuda mútua e para resolver problemas em comum. “Integração é um sonho de nossos libertadores”, disse o presidente equatoriano.

O Equador viveu uma grave crise econômica no fim dos anos 90, explodindo em 1999. Além de derrubar o crescimento e elevar o desemprego, a crise também provocou a imigração de cerca de 2 milhões de jovens para outros países. Em sua fala, Correa listou medidas, em especial na área econômica e de educação, para reverter esse quadro desde que assumiu o governo (tomou posse em 2007 e já está no terceiro mandato).

“A solução da crise foi recuperar o poder dos mercados e entregá-lo à sociedade”, disse Correa. “Se antes quem mandava no Equador eram os banqueiros, os credores e o capital internacional, hoje quem manda é o povo”.

Público lotou o Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP para o evento. Crédito: Planeta América Latina
Público lotou o Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP para o evento.
Crédito: Planeta América Latina

A questão da educação

As políticas educativas ocuparam boa parte da palestra de Correa. Ele ressaltou o oferecimento de pré-escola pública e de universidades públicas (em contraposição a instituições privadas “de garagem”, que disse terem proliferado no país na década de 90) como forma de o país produzir inovação e ganhar independência em relação às nações desenvolvidas. Para o presidente equatorianos, a educação deve ser entendida como uma geradora de direitos e, assim, incentivar a justiça social. “Não pode haver liberdade sem justiça”, diz.

Ainda no campo da educação também foi citada a iniciativa que oferece bolsas de estudos de ensino superior aos equatorianos que emigraram a partir da crise nos anos 1990, procurando de alguma forma aproveitar o conhecimento que podem agregar ao país, aliado à experiência no exterior.

Migrantes refletem e se inspiram

Os modelos apresentados por Correa servem de inspiração e reflexão para imigrantes –  equatorianos e de outras nacionalidades – que assistiram ao evento. Muitos deles se identificaram com os apelos à integração latino-americana e com as políticas educacionais, dois temas bastante caros aos migrantes que vivem no Brasil. “Acho que todos os países deveriam copiar o Equador, colocando a educação à frente”, acredita a boliviana Monica Rodriguez.

Plateia contou com estudantes, especialistas, militantes e migrantes de diversas nacionalidades. Crédito: Planeta América Latina
Plateia contou com estudantes, especialistas, militantes,autoridades e migrantes de diversas nacionalidades.
Crédito: Planeta América Latina

“Ele deu várias ideias e recomendações para políticas públicas eficientes. Já temos algumas iniciativas dentro da Prefeitura de São Paulo, só que é necessário que elas sejam adotadas de maneira mais ampla e se estenderem aos planos estadual e nacional”, diz Tania Bernuy, peruana e diretora do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC).  Ela ainda cita a necessidade de integração entre os países do Mercosul, principalmente na moeda, para fazer frente a outros blocos econômicos.

“Conhecer outras realidades nos faz ter o comparativo se estamos tendo nosso direito respeitado ou não e qual o verdadeiro acesso que estamos tendo no país onde moramos ou de onde viemos”, opina a boliviana Veronica Quispe Yujira. Ela lidera o programa Si, Yo Puedo, que visa o acolhimento e orientação de jovens imigrantes para promover a democratização do conhecimento e da informação.

Veronica Quispe, do Si, Yo Puedo: Crédito: Planeta América Latina
Veronica Quispe, do Si, Yo Puedo: “conhecer outras realidades nos faz ver se estamos tendo nosso direito respeitado ou não”
Crédito: Planeta América Latina

Também integrante do projeto Si, Yo Puedo, o estudante de Direito boliviano Fernando Solis crê que a conferência ajudou também a formar uma ideia mais realista sobre a economia dos países da América do Sul. “Ela ajuda a informar a pessoas que vejam seus próprios países de uma forma diferente e podem ir adiante com o estudo de seus habilidades, para que possam passar isso a seus filhos e netos”.

Para a equatoriana Marta Quilumbanco, que está há apenas seis meses no Brasil, são poucos os migrantes que estudam no Brasil, pois a maioria chega para trabalhar. Mas espera que a comunidade dê suporte às medidas educacionais anunciadas por Correa, como a das bolsas para expatriados. “Seria bom que houvesse uma porta aberta para a educação e que seja apoiada pelos irmãos equatorianos que aqui vivem”, opina.

O malinês Adama Konate lembrou a importância do conhecimento para os cidadãos de qualquer país, sem importar o local onde se vive ou a origem. “Precisamos de conhecimento para aprender. Não só os equatorianos, mas imigrantes de todos os países podem aprender”.

Com Planeta América Latina

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