Pressionado, Trump revoga medida que deportaria estudantes internacionais dos EUA

Governo Trump era pressionado por universidades e governos de 17 Estados contra a medida, vista como eleitoreira

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Fachada de biblioteca na Universidade Harvard, nos EUA. (Foto: Joseph Willian/Creative Commons)

A política anti-imigração de Donald Trump nos Estados Unidos sofreu um novo revés recente. Isso porque a administração do republicano decidiu revogar a medida que deportaria do país os estudantes internacionais que tivessem somente aulas online na retomada do ano letivo — prevista para setembro.

A revogação, anunciada na terça-feira (14), veio um dia após 17 Estados — incluindo o Distrito de Columbia, que abriga a capital Washington — entrarem com uma ação judicial contra a decisão da Casa Branca.

“As novas regras são cruéis, bruscas e ilegais”, dizia o documento apresentado pela coalizão.

Antes ainda, a Universidade Harvard e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), duas das instituições de ensino superior mais conceituadas do mundo, já haviam entrado na Justiça contra a medida da gestão Trump.

Bandeira eleitoral e meio de pressão

No último dia 7 de julho, o governo dos Estados Unidos havia determinado que estudantes internacionais que tivessem suas aulas totalmente online devido à pandemia do novo coronavírus, a partir de setembro, teriam de deixar o país.

“Caso estudantes se vejam nessa situação, eles devem deixar o país ou tomar medidas alternativas para manter o status de não imigrante, como uma carga horária reduzida ou apresentar atestado médico apropriado”, dizia então o comunicado do departamento de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA naquela data.

Quem quisesse permanecer em território americano precisaria transferir a matrícula para uma escola ou universidade com aulas presenciais.

A ameaça de deportação de estudantes internacionais que não tivessem aulas presenciais no próximo semestre atendia a uma dupla finalidade. Por um lado, pressionaria as instituições de ensino a retomarem suas atividades, ao mexer em uma importante fonte de renda — as mensalidades pagas por esses estudantes internacionais.

Por outro lado, ela também dialoga com a retórica anti-imigração que é uma das marcas registradas da administração Trump.

Segundo especialistas ouvidos pelo MigraMundo na semana passada, logo após o anúncio do governo, a medida criminaliza estudantes internacionais.

Segundo dados do próprio governo dos EUA, compilados pelo portal G1, o Brasil é o décimo país no mundo com mais estudantes nos Estados Unidos — cerca de 14,6 mil. China (363,4 mil ), Índia (196,2 mil) e Coreia do Sul 54,5 mil) lideram o ranking.

Outras derrotas recentes

Segundo levantamento do Instituto Gallup, divulgado na última semana, 34% dos americanos são favoráveis à expansão da imigração para os EUA, enquanto 28% gostariam que ela diminuísse.

Ou seja, quase 8 em 10 entrevistados (77%) disseram acreditar que a imigração é boa para o país — uma visão que, ao menos em teoria, bate de frente com as medidas do republicano, que é candidato à reeleição em novembro.

A política anti-imigração de Trump também sofreu um outro revés recente da Suprema Corte dos Estados Unidos — que equivale ao Supremo Tribunal Federal no Brasil.

Em junho, a Corte impediu o presidente de encerrar o Daca, projeto do governo do antecessor Barack Obama que impede a deportação de mais de 600 mil imigrantes que entraram de forma irregular no país quando eram crianças.


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