Refugiado cria ONG para ajudar crianças de campo de refugiados em Uganda

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A vida não tem sido nada fácil para Akeem Kafumba Maombi. Nascido em 1986 na província de North Kivu, na República Democrática do Congo, ficou órfão aos 11 anos depois que a família inteira foi assassinada por adversários políticos e teve de ser virar sozinho desde então. Mesmo assim, ele tem procurado colaborar para amenizar as dificuldades que vivencia diariamente.

Akeem se alfabetizou lutando contra a fome e a falta de dinheiro, além de fugir dos conflitos armados na terra natal. Teve de cruzar a fronteira para Uganda e desde 2011 vive no campo de refugiados de Kyangwali, que abriga cerca de 25.000 pessoas – algumas do Congo, como ele, mas também do Sudão do Sul, Burundi, Ruanda, Quênia e Somália. No local ele já serviu no campo como supervisor de vigilância da nutrição, mortalidade e cobertura vacinal de crianças para a ONG Médicos Sem Fronteiras, mas agora se dedica praticamente de corpo e alma a uma outra iniciativa.

Em 2013, enquanto percorria o campo promovendo ações de combate à violência de gênero, passou a refletir sobre as condições de vida das crianças de Kyangwali – muitas delas sem roupas e sapatos, sem tratamento contra doenças e fora da escola. “Sei que através da educação estas crianças e órfãos podem ter um futuro brilhante. Eu tinha de fazer alguma coisa”, concluiu Akeem.

Foi dessa reflexão que, em 15 de agosto de 2013, ele iniciou a World Child Care Vision. Dentro do possível para o refugiado congolês, a organização não-governamental (ONG) procura ajudar as crianças em questões básicas como levá-las para a escola, conseguir remédios e material escolar gratuitos e tirar bichos de seus pés (muito comum em locais onde é raro ver alguém com sapatos). 

O refugiado congolês Akeem Kafumba, que procura ajudar as crianças do campo de Kyangwali. Crédito: arquivo pessoal
O refugiado congolês Akeem Kafumba, que procura ajudar as crianças do campo de Kyangwali.
Crédito: arquivo pessoal

“Comecei a chamar as pessoas de diferentes aldeias para fazer uma reunião com eles, dando-lhes a minha visão, para encontrar pais afastados e ajudar as crianças e órfãos a irem à escola. Fui de casa em casa para educar o zeladores dos órfãos e as crianças”, conta o refugiado.

Atualmente pelo menos 20 crianças são assistidas diretamente pela ONG, sendo que cinco delas vivem na casa do próprio Akeem em Kyangwali.

Falta de recursos e improvisos

No entanto, esse trabalho é limitado pela falta de recursos e de instalações adequadas. Sem uma sede própria, ele usa a própria casa no campo de refugiados para oferecer algum tipo de recreação às crianças quando estas não estão na escola. Aulas extras dadas pela organização em geral acontecem a céu aberto – o que fica mais complicado durante os dias de chuva.

Em outras situações ele ainda precisa de dinheiro para comprar remédios para malária (que mata muitas crianças na África) e roupas para os pequenos estudantes.

Akeem estima que seriam necessários US$ 5.000 mensais para financiar adequadamente as iniciativas promovidas pela ONG em Kyangwali. Por isso, ele busca a todo momento recursos que possam ajudar e faz questão de compartilhar na página da ONG no Facebook o que consegue por meio dos donativos.

Crianças participam de atividade da World Child Care Vision. Crédito: Divulgação
Crianças participam de atividade da World Child Care Vision.
Crédito: Divulgação

Quem tiver interesse em enviar recursos diretamente para a World Child Care Vision pode fazê-lo diretamente pela agência da Western Union na cidade de Hoima (Uganda), a mais próxima do campo de Kyangwali, ou por meio dos dados abaixo:

Equity Bank Uganda Limited
Swift Code: EQBLUGKA
Kampala, Uganda
Conta : 1019100748312
Akeem Kafumba Maombi

Banco correspondente: Citibank New York – SWIFT CODE: CITI US 33

Embora o campo tenha uma representação do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), o congolês diz que nem ele nem outras iniciativas existentes no local contam com qualquer tipo de apoio da entidade.

Ajuda do Brasil

Akeem já tem pelo menos uma apoiadora no Brasil. É a estudante de Jornalismo Talissa Monteiro, 22, que vive em Quatis, região sul do Estado do Rio de Janeiro. Em 2014 ela venceu um concurso de reportagem da Médicos Sem Fronteiras e do jornal O Estado de São Paulo e, como prêmio, ganhou uma viagem para cobrir a situação de um campo de refugiados que fugiam da guerra no Sudão do Sul. Foi nessa oportunidade que conheceu Kyangwali e Akeem pessoalmente – e com quem mantém contato com frequência.

Para ajudar o projeto do amigo que ficou em Uganda, Talissa tem pedido doações para a World Child Care Vision nas redes sociais. “Acho que todos nós poderíamos contribuir com alguma coisinha: cinco, dez, vinte reais. O Akeem é de confiança e compartilha fotos com as doações que recebe na página da organização. Agradeço de coração a todos que puderem ajudar”.

Quem preferir enviar as doações por meio da Talissa basta entrar em contato com ela por meio do perfil pessoal no Facebook.

Links de interesse

World Child Care Vision – https://www.facebook.com/pages/World-Child-Care-Vision/933782769979780?fref=ts

 

 

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