No Dia do Imigrante, uma reflexão sobre o tratamento da imprensa à temática migratória

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A reflexão abaixo, cedida ao MigraMundo pela colaboradora e parceira Géssica Brandino, foi feita no Facebook e veio logo após ela ler uma manchete em um painel de notícias do metrô de São Paulo sobre imigrantes presos em Fortaleza que pediram refúgio no Brasil.

A chamada pode ter sido ignorada por alguns, mas para outros traz aquele velho estereótipo da “invasão estrangeira”. Na verdade é mais um exemplo da falta de conhecimento da sociedade brasileira como um todo sobre a questão das migrações e do refúgio – e muitas vezes da falta de vontade de entendê-la e de se colocar no lugar do outro.

Uma reflexão mais do que necessária, que coincide com o dia de hoje (25/06), lembrado nacionalmente como o Dia do Imigrante.

Por Géssica Brandino*

Metrô na volta para casa. Você olha para o painel de notícias do Portal Terra e lê a seguinte manchete:”Estrangeiros presos em Fortaleza pedem refúgio no Brasil: 7 homens entraram no país com passaportes falsos”.

Primeiro pensei comigo: não, eu não li isso! Depois veio a raiva: que merda de jornalismo é esse?! E então, refleti: preciso escrever!

Cá estou, movida pelo terceiro pensamento, para falar algo que certamente não passou pela cabeça do editor que elaborou a brilhante manchete. Não pensou na xenofobia que alimenta, nem no preconceito contra quem pede refúgio e nem no cenário em que essa necessidade surge. Sim, o refúgio é uma necessidade. A necessidade de salvar a vida ao ser perseguido pela raça, posição política, social ou estar em meio a um conflito armado. Essa necessidade leva tantos milhares a cruzarem a fronteira, às vezes sem nada além da roupa do corpo. Por vezes, escondidos nos porões de navios e sem saber se acordarão vivos. Para cruzar a fronteira, o único jeito, para muitos, é recorrer a documentos falsos e isso, que está inclusive na Lei 9474 de 1997 [a lei brasileira sobre refúgio], não significa crime, porque foi a única forma de salvar a vida.

A imagem dispensa maiores explicações. Crédito: ACNUR
A imagem dispensa maiores explicações.
Crédito: ACNUR

Alguns podem pensar: “Você nem leu a matéria! Vai que o texto era bom”… Bem, o problema é que quem estava comigo no vagão também não leu e quem rolar o cursor pela página do portal, talvez também não leia. E a mensagem que vai ficar para essas tantas pessoas é: como o Brasil deixa essa gente vir?

Talvez pensemos pouco na força das palavras de uma manchete. Certamente precisamos refletir mais.

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